Você não está pronta para essa conversa.
Porque eu sei que, quando o assunto é Carla Madeira, qualquer reclamação pode causar uma pequena confusão. E eu já vou começar dizendo que sou fã da autora.
Li todos os livros dela e gosto muito da maneira como escreve. Inclusive, vou aproveitar para contar uma coisa que talvez incomode algumas pessoas: Tudo é Rio é o meu menos preferido.
Pois é.
Os meus favoritos continuam sendo A Natureza da Mordida e Véspera. Até hoje fico na dúvida sobre qual dos dois gosto mais.
Então, quando comprei Quando, de Carla Madeira, é claro que estava curiosa para descobrir se ele entraria nessa disputa.
O livro chegou em dois dias e comecei a leitura.
Agora que terminei, posso dizer: gostei bastante da história. Mas não achei que seja o melhor livro da Carla Madeira.
E isso não é uma reclamação. Um livro não precisa superar todos os anteriores para ser uma boa leitura.
📖 O que achei da história de Quando?
Uma das coisas de que mais gosto na escrita da Carla Madeira é a maneira como ela trabalha os sentimentos e as relações entre os personagens.
As histórias vão se envolvendo, uma pessoa interfere na vida da outra, e você começa a perceber que uma mesma situação pode ser completamente diferente dependendo de quem está contando.
E isso é uma coisa que me prende muito.
Gosto especialmente de quando ela apresenta diferentes lados de uma mesma tragédia.
Porque, às vezes, um personagem faz uma coisa que você considera absurda. Você não concorda com aquela atitude, não acha que existe justificativa para o que ele fez e, ainda assim, consegue compreender um pouco do que estava acontecendo com aquela pessoa.
Entender não é a mesma coisa que justificar.
E acho muito interessante quando um livro consegue fazer essa distinção.
Na vida real, a gente também costuma conhecer apenas um pedaço das histórias. Escuta uma versão, forma uma opinião e, quando descobre o que aconteceu do outro lado, percebe que havia muito mais coisa envolvida.
Isso não significa que todo mundo tenha razão.
Significa apenas que as pessoas são mais complicadas do que parecem quando a gente conhece só uma parte do que aconteceu.
E Carla Madeira sabe escrever sobre isso de uma maneira que me faz continuar pensando nos personagens depois que termino a leitura.
Em Quando, gostei muito de encontrar novamente essa característica da escrita dela.
📚 Mas Quando é o melhor livro da Carla Madeira?
Para mim, não.
E acho importante dizer isso porque gostar muito de uma autora não significa que todos os livros dela vão provocar a mesma reação.
Eu gostei de Quando, achei a história muito boa e recomendo a leitura.
Mas, se me perguntarem qual livro da Carla Madeira mais me marcou, continuo dividida entre A Natureza da Mordida e Véspera.
E sei que muita gente vai discordar, principalmente porque Tudo é Rio costuma aparecer nas conversas sobre a autora.
Só que livro é uma experiência muito pessoal.
Uma história pode tocar profundamente uma pessoa e não provocar a mesma coisa em outra. Às vezes, a identificação com determinado personagem, uma situação que você já viveu ou até o momento da sua vida em que faz a leitura muda completamente a experiência.
Então não estou dizendo que Quando é inferior ou que você não vai gostar tanto quanto eu gostei dos outros.
Estou dizendo que, entre os livros da Carla Madeira que li, ele não se tornou o meu preferido.
Simples assim.
🔎 Uma reclamação sobre a edição física: o tamanho da letra
Agora vamos falar de uma coisa que me incomodou bastante e que não tem relação com a história.
A letra do livro.
Gente, sério. Eu não gostei.
Achei a fonte visualmente pesada, com uma aparência meio borrada, e tive bastante dificuldade para ler à noite.
A impressão que tive foi de que a letra ficou muito compacta e grossa. Não sei se foi uma escolha de diagramação ou se havia alguma outra razão para isso, mas, para mim, a experiência de leitura ficou menos confortável.
E olha que eu gosto de livro físico.
Só que uma coisa é você estar envolvida na história. Outra é precisar fazer um esforço desnecessário para conseguir enxergar o texto.
Não sei se outras pessoas tiveram a mesma impressão, mas foi algo que realmente me incomodou nessa edição.
E acho que vale comentar porque, quando a gente fala sobre um livro, a experiência não se resume à história. A fonte, a diagramação e o conforto da leitura também fazem diferença.
Principalmente para quem gosta de ler à noite.
💬 Afinal, vale a pena ler Quando?
Sim, valeu a leitura para mim.
Gostei da história, dos personagens e, principalmente, da maneira como Carla Madeira consegue mostrar diferentes perspectivas de situações emocionalmente complicadas.
É justamente esse tipo de escrita que me faz gostar tanto dos livros dela.
Minha ressalva sobre a edição física continua, e Quando não ultrapassou os meus favoritos da autora.
Mas eu não preciso achar que um livro é o melhor de todos para reconhecer que gostei dele.
Aliás, acho até curioso como, quando gostamos muito de um escritor, parece que cada novo lançamento precisa ser obrigatoriamente o melhor da carreira.
Às vezes, é simplesmente mais uma boa história.
E está tudo bem.
🗣️ Agora quero saber a sua opinião
Se você já leu Quando, me conta: o que achou da história? A letra da edição física também incomodou você ou isso foi uma implicância exclusivamente minha?
E, principalmente, qual é o seu livro preferido da Carla Madeira?
Eu continuo entre A Natureza da Mordida e Véspera.
Mas já estou preparada para alguém aparecer aqui defendendo Tudo é Rio como se eu tivesse cometido um crime. 😂
📚 Onde comprar Quando, de Carla Madeira?
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