Pouco antes de desaparecermos: um livro que já me fez pensar antes mesmo de começar
Eu ainda nem li esse livro e já estou pensando nele mais do que em muito livro que eu terminei.
O nome é Pouco antes de desaparecermos, do escritor brasileiro Jonas Lumazini.
Eu encontrei o livro, achei a sinopse interessante e fui fazer uma coisa que sempre faço antes de começar uma leitura: pesquisar quem escreveu, de onde surgiu a história, o que o autor queria contar.
A princípio, é uma história sobre Ana, uma mãe que enfrenta um Alzheimer precoce, e Beto, seu filho.
Só que quanto mais eu pesquisava, mais eu achava que chamar isso simplesmente de “um livro sobre Alzheimer” diminuía muito a história.
Porque tem uma pergunta por trás que eu achei muito mais interessante:
💭 Se eu começar a perder as minhas memórias, em que momento eu começo a deixar de ser quem eu sou?
🧠 Quanto de nós existe na memória dos outros?
E aí pronto. Já comecei a viajar.
Porque a gente pensa na memória como uma coisa muito nossa. Só que talvez ela não seja tão nossa assim.
Tem uma Marta que existe na memória da minha filha. Outra que existe na cabeça do meu marido. Meus pais provavelmente guardam uma versão minha que eu mesma nem lembro mais.
Amigos de 20, 30 anos atrás podem lembrar de coisas que eu fiz, falei e vivi que desapareceram completamente da minha cabeça.
E eu faço exatamente a mesma coisa com eles.
Então talvez uma parte de quem a gente é esteja espalhada por aí, guardada nas pessoas que passaram pela nossa vida.
❤️ Gente, eu achei isso muito bonito.
E um pouco desesperador também, porque eu sou eu, mas aparentemente existe um backup meu distribuído em várias pessoas e eu não tenho acesso a nenhum deles.
✍️ Um livro em que até a forma de escrever parece importar
Outra coisa que me deixou curiosa foi descobrir que Pouco antes de desaparecermos não tem uma estrutura completamente convencional.
Jonas Lumazini também vem do teatro, e isso aparece na construção do romance.
A narrativa trabalha com fragmentos, diálogos, diferentes vozes, silêncios, espaços vazios e até com a disposição das palavras nas páginas.
E achei especialmente interessante pensar que essa fragmentação pode conversar com aquilo que está acontecendo com a própria memória.
Ou seja: aparentemente não vou prestar atenção apenas no que está escrito.
Já estou preparada para analisar até o espaço vazio da página.
Quem vê pensa.
⏳ Afinal, quando começamos a desaparecer?
Talvez essa seja a parte que mais tenha me feito querer ler o livro.
Porque desaparecer, nesse contexto, não parece significar simplesmente morrer.
A gente também vai deixando para trás várias versões de nós mesmos durante a vida.
A criança que fomos já não existe da mesma maneira.
A relação com nossos pais muda.
Nossos filhos crescem.
Pessoas vão embora.
Famílias mudam.
E lembranças que um dia pareciam impossíveis de esquecer simplesmente desaparecem.
Só que, às vezes, alguém ainda lembra.
E talvez seja aí que exista alguma coisa muito bonita nessa história.
💭 Quem guarda quem nós fomos?
Acho que essa é a pergunta que vou levar comigo quando começar a leitura:
Quem guarda quem nós fomos?
Se um dia eu não lembrar mais de determinada história, mas minha filha lembrar, aquela versão de mim desapareceu?
Se meus pais lembram de uma Marta criança que eu praticamente não consigo mais acessar, aquela Marta ainda existe de alguma forma?
E quando alguém perde a memória sobre nós, o vínculo desaparece junto ou passa a existir apenas do nosso lado?
Olha o tanto de problema que eu já arrumei para a minha cabeça sem nem ter começado o livro.
Adoroooo.
📚 Ainda não é uma resenha
E faço questão de deixar isso claro porque ainda não li Pouco antes de desaparecermos.
Então posso começar amanhã, achar todas essas ideias maravilhosas na teoria e descobrir que a leitura não funcionou para mim.
Acontece.
Quando terminar, aí sim posso voltar aqui e contar o que achei da experiência, da escrita e da história.
Mas adoro quando um livro consegue fazer uma coisa dessas antes mesmo da primeira página.
Ele ainda nem teve a oportunidade de me contar a história e já me deixou pensando sobre memória, família, identidade, envelhecimento e sobre todas as versões de nós que ficam guardadas nas outras pessoas.
Agora preciso ler para descobrir se ele vai responder alguma dessas perguntas ou, muito provavelmente, me deixar com outras 957.
🛒 Compre aqui
Pouco antes de desaparecermos — Jonas Lumazini
Se a história também deixou alguma dessas perguntas na sua cabeça, você encontra o livro aqui:
📦 Comprar Pouco antes de desaparecermos na Amazon
💬 E agora?
Tem uma pergunta desse livro que eu já sei que vai continuar comigo durante a leitura:
Se nossas memórias ajudam a construir quem somos, quanto de nós continua existindo nas lembranças das outras pessoas?
Quero saber o que você pensa sobre isso. Me conta nos comentários.