Vale a pena ler Círculos não são infinitos da Vitória Souza? Comecei com pé atrás e terminei questionando meu próprio orgulho. Resenha sem filtros abaixo.
Comecei com pé atrás (e fui pega desprevenida)
Confesso que comecei este livro imaginando que seria mais daqueles romances contemporâneos que romantizam a falta de comunicação e chamam de paixão o que claramente é só falta de terapia.
Mas a Vitória Souza me pegou completamente desprevenida.
A história me emocionou de um jeito genuíno e me obrigou a tentar olhar o outro lado de situações cotidianas do casamento que a gente costuma varrer para debaixo do tapete. Não era isso que eu esperava. E talvez seja exatamente por isso que funcionou.
O que o livro realmente dissecta: ego, orgulho e a vida a dois
É impressionante como a narrativa disseca o ego e a necessidade de estar sempre certa. A Vitória constrói uma história que mostra, sem didatismo, que o amor real não sobrevive de grandes gestos heroicos.
Sobrevive da disposição diária de ceder espaço para o outro respirar.
E isso é desconfortável. Porque enquanto você lê, pensa em como a gente se apega a pequenas manias e discussões banais — quem deixou a louça, quem esqueceu de responder a mensagem, quem teve a última palavra — e esquece que o tempo passa rápido demais para gastarmos energia com orgulho bobo.
O livro não te dá uma lição moral mastigada. Ele te coloca na parede e deixa que você mesma tire suas conclusões. E essas conclusões incomodam no bom sentido.
A escrita que flui como conversa de amiga
A leitura flui com aquela franqueza de conversa de amiga. Sem academicismos chatos, sem linguagem rebuscada que distancia. Mas com uma profundidade que te pega desprevenida.
A Vitória Souza escreve como se estivesse sentada na sua frente, te contando uma história que ela própria viveu. E é essa intimidade que torna as partes mais duras da narrativa ainda mais impactantes.
No Skoob, uma leitora resumiu o impacto: "não consigo explicar o que senti lendo e o quanto amei — livros curtos com tantos aprendizados nas poucas páginas". É isso. O livro é enxuto, mas denso. Não desperdiça uma linha.
O que funciona (e o que pesa um pouco)
Vou ser honesta: tem seus momentos em que a carga dramática pesa um pouco mais do que o necessário. Não é suficiente pra arruinar a leitura, mas você sente que algumas cenas poderiam respirar mais antes de intensificar.
Mas a quebra de expectativa compensa cada página. Justo quando você acha que sabe pra onde a história vai, a Vitória te puxa o tapete e te coloca em outro lugar. E esse lugar é sempre mais interessante do que você imaginou.
O livro é classificado como ficção cristã, mas não deixe o rótulo te afastar. Os temas — autossabotagem, ego, comunicação no casamento, recomeços — são universais. Foi recomendado até pelo Senado Federal numa dica de leitura, o que dá uma dimensão de como ele atravessa nichos.
Vale a pena? O veredito
Vale muito a leitura se você estiver disposta a encarar os próprios reflexos no espelho da vida a dois.
Se você quer um romance fácil que te confirma que você está certa em todas as brigas do seu relacionamento — esse não é o livro.
Se você está disposta a se incomodar, a questionar seu próprio orgulho e a considerar que talvez o problema não seja o outro, mas a sua incapacidade de ceder espaço — compre agora.
👉 Pega na Amazon: Círculos não são infinitos — Vitória Souza *publi
E me conta: já leu algum livro que te obrigou a repensar como você leva o relacionamento pra casa? Qual foi? Vai nos comentários 👇
